Entrevistas. Ah… as entrevistas.
agosto 11, 2010

Grana? Ideias? Quantas dúvidas... Amo o que eu faço? - Ilustração que fiz com caneta bic e posterior (e rapidinha) finalização no photoshop.
Como toda boa estudante de Design deste país, já fui entrevistada muitas vezes. Agências, empresas de Design Produto, Studios de Design, escritórios…
Para alguns lugares, enviei currículos via email.
Alguns retornaram, outros não.
A maturidade me fez enxergar que este não é o modo mais correto de ser notada.
Então, procurei ligar para as empresas de interesse, agendar reuniões.
Mostrar a cara é sempre bom. Mostrar portfolios, mostrar áreas de interesse, segmentos de atuação anterior, planejamentos futuros, pretensões salariais… tudo isso é importante, pois nestas entrevistas, o entrevistador traça nosso perfil… e a primeira impressão, ainda é a que fica.
Ok. Já recebi propostas muito ruins. Já recebi propostas muito boas.
Algumas com salários bem generosos, até. Mas ainda estou estudando, estou em meu último ano de faculdade. Não posso e nem quero jogar tudo pro alto e tentar a sorte em São Paulo ou Santa Catarina. Não agora. Nem por R$ 6.000,00. Ficaria longe da família, do namorado, da faculdade, dos amigos. Teria que me aventurar. E aventuras assim, só rolam de verdade quando já estamos formados. Sei por experiências de pessoas próximas a mim.
Trabalhando como freelancer, acabo conhecendo muita gente. Estes contatos são importantes, pois acabam gerando indicações para novos projetos. Trabalhar como freelancer, é estar livre para escolher no que trabalhar.
E quando. Mas esta liberdade, embora seja muito boa, me preocupa.
Trabalhar assim, é estar um pouco vulnerável e meio instável.
Por isso, estando a procura de uma oportunidade fixa, fui entrevistada semana passada para uma vaga em uma empresa de grande porte. Passei pela etapa coletiva, passei pela etapa psicológica e cheguei, enfim, à etapa de entrevista com o responsável pelo setor para o qual a vaga se destina.
Gente, nunca vi tamanha falta de educação em toda a minha vida.
O sujeito é grosso, cara de poucos amigos, risinho meio torto de quem acha o máximo menosprezar tudo e todos.
Entrei na sala e olhei ao meu redor: um cubículo quente e escuro, três computadores em três escrivaninhas, muitos papéis em cima da mesa do ‘chefe’, três cadeiras.
O entrevistador ficou todo o tempo tentando me alfinetar. Levei portfolio, mostrei. Disse que ‘os projetos das mentes brilhantes dos designers eram quase sempre furada’, que ‘devíamos aprender a ouvir quem entende’.
Entre mil alfinetadas, e eu me segurando para não rir, teve uma hora que não deu: soltei uma gargalhada. O cara me olhou e perguntou do que eu estava rindo. E eu disse: ‘Disso tudo aqui, do senhor. É tudo muito engraçado’.
Depois disso, eu só pensava no quanto eu amo desenhar, criar, inventar. No quanto eu realmente adoro estudar o que estudo, fazer o que faço. E no quão infeliz eu seria se fosse efetivada para aquela vaga. Não lembro de muito mais que o entrevistador tenha dito depois da gargalhada que dei envolvida por tantos pensamentos de alívio e paz interior. Não mesmo. Só percebi que a entrevista tinha chegado ao fim, quando ele se levantou.
Eu me despedi do entrevistador, com um aperto de mão.
Ouvi ao sair: ‘Pois é… agora torce, torce bastante! Vai que eu te chame, né?’
Aham, Claudia. Senta lá.
Claro que não fui chamada. Claro que não me importei nem um pouco. Trabalhar em um lugar no qual temos que fazer de conta que odiamos design, que somos um nada, que não sabemos pensar? haha Obrigada.
Se por dinheiro nenhum no mundo eu vendo meus ideais, imagina se os venderei por pouco. Nunca.
Uma vez capacho, sempre capacho. Todos deviam lembrar disso sempre que um ser da era paleozóica fica na nossa frente, com ar superior, tentando fazer com que esqueçamos nossos reais propósitos de vida por meio de risinhos atravessados.
Devemos nos sentir bem onde trabalhamos. Devemos nos sentir parte do todo.
Se não houver criação, cor, luz, liberdade, como vou ser feliz? Não existe como.
Respeito não é uma rua de mão única. Ele deve partir da gente e voltar para a gente. É um espelho.
Ser chefe não é humilhar os contratados. É trabalhar junto, e trabalhar com. É saber direcionar projetos e liderar equipes. É saber tirar o melhor de cada funcionário. É incentivar o profissional a estar sempre crescendo e se aprimorando nas áreas de interesse. Funcionário feliz, é funcionário que faz bem feito.
Vou seguir trabalhando como freelancer e agora, boas notícias em breve chegarão por aí.
Afinal, quem se dedica e ama de verdade o que faz, um dia consegue seu lugar ao sol.
Menina, adorei tudo o que você escreveu!
É a primeira vez que entro no teu blog e, virei sua fã!
Beijos!
Jessica! Coisa boa
Entrei no teu blog e achei bem legal. Obrigada pelo carinho! Um beijo!
Aplausos!! Mais Aplausos!!